Pentatentativa

Espaço multicultural para atitudes pouco controladas e comentários pouco fundamentados.

sexta-feira, julho 29, 2005

Pedaço

... mas, no entanto, tentado a voar.
Sempre que acordas com a força de mil homens tens tudo menos a consciência, essa é directamente proporcional ao tempo que despendes contigo e até que ponto te levas a sério...
Eu? Por acaso não. Mas conheço quem o faça.
O que queres dizer com isso?
Sempre fui forçado a ser pragmático, mesmo quando não queria.
A constante pressão de quem cria expectativas a toda a hora e se envergonha de não as saber cumprir.
Queres saber mais?
Não, não posso. Não irias olhar para mim da mesma forma.
Já te aconteceu fazeres um grande esforço para focares algo que está longe mas parece sempre piorar?
Aí tens. O meu horizonte foi sempre uma nébula, uma mistura de materiais ásperos e suaves, claros e escuros, grandes e pequenos. Pensavas que eu um herói, um exemplo de força e uma fonte de motivação. Pois bem, erraste.
Não me idealizes dessa forma. Sei que estou preso no chão...


quarta-feira, julho 20, 2005

Recursividade

Faz sol mas não há luz, o calor não aquece e até o pequeno cão ladra à entrada... mas nada se ouve.
Aparentemente estou desligado.
Avanço automaticamente e entro no mesmo local, à mesma hora, dirijo-me às mesmas pessoas da mesma forma, sento-me na mesma cadeira percebendo que não se trata de um dejà-vu.
Da mesma maneira que tudo acontece na mesma sequência e no mesmo plano, mantenho-me diferente, e indiferente a pequenas mudanças que deixam tudo na mesma.
Se nada é exactamente igual e os acontecimentos são sempre os mesmos, qual é a saída do ciclo?
A minha vontade?

quinta-feira, julho 07, 2005

Por dentro

Dei conta que já não sei nada de ti, mas não sei há quanto tempo foi.
Desconheço igualmente o meu paradeiro, será coincidência?
Uma coisa é certa, contigo não estou.
Ás vezes gostava de saber todas as coisas que nunca saberei, coisas que não me quiseste dizer.
Não partilhamos a mesma realidade, nem o mesmo planeta sequer.
Somos tanto mais felizes quanto mais ignoramos o que se passa à nossa volta, será por isso que nos damos tão bem?



domingo, julho 03, 2005

Um dia

Arrastei tudo comigo.
Quando abri a janela e senti que já era manhã, sabia que nada poderia ser igual.
Tu não eras a mesma pessoa, nem eu era eu mesmo.
Tornei-me refém da minha liberdade, agora é ela que me prende.
Serei objecto de outra realidade, onde tudo é cuidadosamente preso ao tecto, onde nada é pensado, onde pouco é sentido e sobretudo onde sei que não vais aparecer.
Quando arrastei tudo comigo, nada ficou no seu lugar, há sementes por onde passo e cores vivas.
Se arrastei tudo comigo foi para empurrar a vontade extrema de organizar sentimentos em caixas de fósforos, como se fossem verdadeiros.
Agradeço-te por não existires.