Pentatentativa

Espaço multicultural para atitudes pouco controladas e comentários pouco fundamentados.

segunda-feira, abril 17, 2006

Revelar

Não sei porque estou a escrever, não faço ideia de onde estas palavras vão parar.
O que leva uma pessoa a abdicar de si própria apenas para não se lembrar do que foi um dia?
Não quero comunicar, pelo menos, não durante os dois próximos minutos até regurgitar todos os resquícios que consumi de todos vocês todos os dias de todas as formas em todas as coisas que todos insistem em varrer cuidadosamente para o meu estômago.
Deixei de pensar para não sentir, deixei de me lembrar para não pensar na raiva que tenho de ser assim.
Não escrevo com receio que me leias, não falo para que não me ouças, não saio de casa para que não te lembres que existo.
Vivo rodeado de memórias que me assombram, e aproveito estes dois minutos fora de mim para dizer que cada caco que deixaste fere-me de forma diferente.
Exibo as minhas fraquezas, foram elas a tua porta de entrada.
Hoje ainda te odeio, amanhã será diferente.

quarta-feira, abril 12, 2006

RE-...

Subi como uma nuvem de fumo para algo desconhecido.
Agora tudo está diferente, embrulhado mas ao mesmo tempo definido.
Começo a atingir perigosamente todos os meus sonhos de infância de uma vez só e tinha tanto para me perguntar antes disso...
Tudo o que parecia incrivelmente longínquo está mesmo aqui.
Arranjo novos problemas e novas actividades mas não são a mesma coisa, não é tão genuíno.
Trechos cinematográficos trazem-me a minha vida anterior à memória, o que eu fui, quando deixei que fizessem de mim apenas uma sombra de mim próprio.
Bastaram dois milímetros para que acontecesse tudo o que vos venho a falar há anos.
Sinto que até poderia ter sido astronauta, bastava querer.